MARCADORES CARDÍACOS
 
Até recentemente a abordagem da isquemia miocárdica considerava basicamente o acompanhamento de parâmetros que permitiam avaliar a presença ou ausência de infarto agudo miocárdio (IAM).
 
Sabe-se que as síndromes isquêmicas miocárdicas agudas (SIMI) caracterizam-se por um crescente grau de isquemia decorrente da evolução do processo de aterosclerose. Esta evolução varia desde a angina estável, angina instável e finalmente levando ao IAM.
 
O diagnóstico definitivo de um IAM depende da demonstração da morte celular. Este diagnóstico é feito de maneira indireta, por sintomas que a pessoa sente, por sinais de surgem em seu corpo, por alterações em um eletrocardiograma e por alterações de certas substâncias (marcadores de lesão miocárdica) no sangue.
 
Nos casos em que o eletrocardiograma (ECG) apresenta alterações características, os marcadores cardíacos têm uma função mais limitada ao acompanhamento da evolução do paciente. Já em casos em que o ECG não é conclusivo com sintomas muito inespecíficos, os marcadores cardíacos são de fundamental importância como um dos critérios para diagnóstico do IAM.
 
Além da confirmação do diagnóstico, as dosagens dos marcadores cardíacos também são de fundamental importância para o início precoce do tratamento adequado, para acompanhamento da evolução do paciente, menor tempo de internação (menor custo), diminuição de altas de pacientes com IAM não detectados (causa do aumento da morbidade e mortalidade) e redução das internações desnecessárias (dor precordial por outras causas).
 
Um marcador é apenas uma molécula liberada por um órgão em determinada condição. A presença ou aumento da concentração desta molécula na circulação caracteriza esta condição.
 
Um marcador cardíaco ideal deve apresentar certos requisitos:
1) grande sensibilidade (ser abundante no tecido cardíaco);
2) grande especificidade (estar ausente em tecidos não-cardíacos e não ser detectável em indivíduos sãos ou com patologias não-cardíacas);
3) liberação rápida na circulação para diagnóstico precoce;
4) grande meia-vida para diagnóstico tardio e acompanhamento da evolução;
5) ser um teste de rápida execução, preciso e de custo efetivo;
6) especificidade analítica (não apresentar reação cruzada com outras proteínas);
7) capacidade de influenciar na terapia e melhorar o diagnóstico.
 
O principal problema na identificação de um marcador cardíaco é que não existe um marcador ideal. Desta forma, são necessários vários marcadores para atender estes requisitos.
 
Várias proteínas já foram utilizadas como marcadores de injúria cardíaca: AST/TGO (1954), CK-Total (1965), isoenzimas de CK (eletroforese) e LDH. Como estas proteínas não são específicas do coração, sendo encontradas em outros tecidos, seus níveis sanguíneos podem estar elevados em outras condições patológicas não-cardíacas. A procura de testes mais específicos levou ao desenvolvimento e identificação de novos testes como a CK-MB (atividade) e Mioglobina (1975). Em 1985, aparecem os testes de CK-MB massa utilizando anticorpos monoclonais e, em 1992, surge a Troponina I .
 
Apesar de não serem reconhecidamente específicas, a Proteína C Reativa (PCR) e a Proteína Amilóide Sérica A (SAA) têm um papel de destaque na identificação de pacientes que possuam placas coronarianas instáveis. Estudos sugerem o uso da PCR para predizer extensão da necrose cardíaca, aparecendo como potencial marcador de risco para isquemia recorrente na fase aguda de angina instável ou IAM.
 
Os critérios definidos pela Organização Mundial de Saúde para diagnóstico de IAM e Angina utilizando os marcadores cardíacos tornaram os testes bioquímicos parte da rotina laboratorial.
 
Os principais marcadores utilizados hoje na rotina hospitalar são a Mioglobina, CK-MB massa e a Troponina. Além disso, o uso de um “índice relativo” pode aumentar a especificidade da CK-MB. Este índice segue a seguinte equação: “Índice de CK-MB = 100*(CK-MB/CK Total)”. Assim sendo, a CK-Total também tem sua importância como complemento.
 
A dosagem quantitativa da troponina I também é de fundamental importância na estratificação do risco cardíaco em pacientes com Síndromes Isquêmicas Miocárdicas Instáveis (SIMI), que compreendem principalmente a angina instável e o IAM.
 
Outro marcador cardíaco atualmente em uso é o Peptídeo Natriurético tipo B (NT-ProBNP) , isolado das células miocárdicas ventriculares, principalmente do ventrículo esquerdo. Em pacientes com Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), o NT-ProBNP é utilizado como auxiliar no diagnóstico e avaliação da gravidade do quadro. Este teste também é utilizado para estratificação do risco em doentes com síndromes coronarianas agudas e insuficiência cardíaca.
 
A ICC é um estado final derivado de diferentes patologias, tanto crônicas como agudas, que danificam o tecido miocárdico: angina instável, infarto do miocárdio, hipertensão, consumo de drogas, exposições a tóxicos, infecções etc.
 
Em casos de Insuficiência Cardíaca Aguda (ICA) , os dados internacionais têm demonstrado que o NT-ProBNP aparece como um preditor de mortalidade. Além disso, destacam-se como de maior importância na estratificação do risco a troponina e a Proteína C Reativa (PCR) .
 
A ICA é definida como início rápido ou mudança clínica dos sinais e sintomas de IC, resultando na necessidade urgente de terapia. A IC aguda pode ainda ser nova ou devido à piora de uma IC pré-existente (IC crônica descompensada).
 
 
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